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Artigo

 José Virgolino de Alencar

Os níveis sociais e institucionais do Brasil

Os três níveis de governo do Brasil - União, Estados e Municípios, formam castas à semelhança das classes econômico-sociais. Os extratos sociais, em razão da condição econômica, identificam, de modo geral, as classes A, B e C.

 

A classe A, pequena em número de integrantes, detém(quase) toda a riqueza da nação. A classe B, designada classe média, vive da remuneração paga pela classe A, compõe-se da massa de pessoas especializadas, formadas, esclarecidas, pensantes, que constroem a nação, sustentam o mercado, suportam a elevada carga tributária, mas pode-se dizer que vivem bem, afinal, vendem mão-de-obra qualificada.

 

A classe C, representada pelo maior número de pessoas e que se subdivide em vários status, é a massa trabalhadora, é o suporte para as classes B e A, é a mão-de-obra do pesado, que carrega o fardo e as ferramentas que produzem o que a sociedade demanda. Nem todos os membros da classe C têm renda, há muito excluído, vivendo de caridade.

 

Servatis, servandi, essa situação acima descrita é observada nos três níveis de governo identificados pela própria constituição nacional. A União é classe A, os Estados são classe B e os Municípios são a classe C.

 

A União é dona de (quase) toda a riqueza pública do país. Os recursos são concentrados em grande volume no tesouro federal. Os Estados têm uma espécie de salários, administrando alguns tributos, têm uma máquina especializada, com gente bem formada e qualificada. Carrega muitos encargos, a remuneração não é tão ruim, vivem bem.

 

Os Municípios, que formam a classe C institucional, com a mesma diversidade das classes sociais do extrato C populacional, inclusive com burgos que ficam também de fora do grande banquete onde se come bem, representa a realidade palpável, são a esfera onde o cidadão mora, onde os problemas estão logo ali, à mostra de seus moradores.

 

As municipalidades vivem da sobra das riquezas detidas pela União, que “remunera” os Estados e estes usam a mão-de-obra pouco qualificada dos municípios para botar-lhes nas costas o fardo da solução dos graves problemas sociais.

 

Esse panorama, em que a União é rica, os Estados são medianamente assalariados e os Municípios são os trabalhadores, aparece nos grande telão da mídia, quando a chuveirada desaba sobre as cidades, rolando ribanceiras, soterrando casas, matando gente, proliferando doenças, as águas arrastando pessoas, casas, móveis, automóveis, enfim, instala-se o caos.

 

Pra quem o povo grita? Para o Prefeito. Acuado pela população e pela imprensa, Suas Excelências, os Edis municipais ficam como barata tonta sem saber para onde correr. Nem quero falar da corrupção, porque este é um capítulo à parte.

 

Falo da exigüidade dos recursos necessários, dos orçamentos municipais engessados por vinculações constitucionais obrigatórias, da falta de previsão e de reserva para as catástrofes que os órgãos especializados nas variedades do tempo antevêem e anunciam. Dirão, e é fato, que há muito gestor irresponsável, aumentando ainda mais o desastre.

 

Mas convenhamos. O desastre dos Municípios é a própria tragédia anunciada da classe social C, que, pela pobreza e falta de esclarecimentos, vive de peito aberto aos vendavais, conformada, acomodada, sem assistência.

 

Ou seja, é uma circunstância do pobre e a sua situação de certo modo criada pela indiferença desumana da Classe A e a pouca condição que tem a classe B de ajudar.

 

São semelhanças e não meras coincidências.

 

 

 



Escrito por Virgolino às 20h11
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Poesia

 

ÀQUELA NOITE
 
Por José Virgolino de Alencar

Àquela noite, fria madrugada,
Invadiu-me a triste sensação

que ataca a pessoa desprezada
no sereno, curtindo a solidão.
 
Àquela noite, sentado na calçada
de uma rua encoberta pela escuridão,
noite esquisita, mal-assombrada,
só, na erma rua; próximo, nenhum cristão.
 
Gritei na noite deserta, desesperado,
por um vivente que me desse ouvido,
meu eco perdeu-se no ar, abafado
 
Pela indiferença do mundo egoista
que se tranca, não ouve e nem avista
o ser humano, ali perto, (de amor) necessitado.



Escrito por Virgolino às 11h28
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