Quadrinhas

Lamentos da velhice Por José Virgolino de Alencar (Obs. Não é autobiografia, amigos. Nem é sacanagem. É apenas uma brincadeira com os inexoráveis efeitos do tempo) Cadê meus vastos cabelos Com um metido topete? Foram caindo, só resta um Que está pela bola sete. Cadê meus ouvidos afinados Captando os sons da natureza? Já não ouvem mais falar Nem da tristeza, nem da beleza. Cadê meus vivazes olhos Vendo além do horizonte? Estão turvos e assim se há Mulher nua, nem me conte. Cadê meus dentes branquinhos Que trituravam quase tudo E adornavam meu sorriso? Não rio mais, fiquei sisudo. Cadê minha barriguinha Que virou esse barrigão? É uma lombada e não encolhe Nem que lhe passe um caminhão. Cadê aquela ferramenta De prazer e fazer neném? Jaz tristonha, encolhida, Inerte e murcha também. Cadê meus anos dourados De criança, jovem e adulto? Dizer que velhice é bom Para o velho é um insulto.
Escrito por Virgolino às 11h13
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