NETPAGE- J. VIRGOLINO ALENCAR


Artigo e poesia

Publicado no Site: http://ancomarcio.com/site

José Virgolino de Alencar

O emaranhado grupo que tomou o poder na Paraíba

O grupo que tomou o poder de nosso Estado no tapetão, sem ganhar eleição, e ainda mandando para o senado um cidadão que teve “0” votos e tem nas costas um monte de processos, está emaranhando-se num teia de informações contraditórias, fornecendo números que não batem com a realidade.

O governo anterior foi cassado por ter doado recursos a uma massa pobre, em período totalmente fora da campanha, dentro de uma programa social previsto numa Lei Complementar Federal que instituiu o “Fundo de Combate à Pobreza” e definiu os recursos orçamentários, oriundos de um acréscimo nas alíquotas do ICMS de vários produtos para aquela finalidade.

Armaram um processo, mobilizou-se uma engrenagem com ramificações no Palácio do Planalto e no forte esquema de corrupção comandado por Sarney, conseguindo o intento de cassar o então governador e dar posse a quem perdera a eleição.

Empossado, o novo governador biônico tomou a grande providência de nomear mais de 4.000 pessoas em cargos de confiança, entre os quais filhos de ministros do TSE e membros do TRE, o tribunal que julgou a causa.

Tudo muito estranho, mas o fato é consumado. O que interessa agora é acompanhar os passos da nova administração, que alardeia números relativos ao caixa do governo, fato preocupante porque se vê a intenção de, como sempre, castigar os servidores, retirar-lhes direitos adquiridos, não pagar os precatórios, não reajustar as remunerações e já ameaçando atrasar o pagamento.

No dia 18 de fevereiro de 2009, último dia da gestão anterior, a folha de fevereiro estava paga e havia em caixa disponibilidades superiores a 150 milhões de reais. Além do mais, nos doze dias restantes de fevereiro entrariam mais receitas do ICMS e do FPE, reforçando o caixa e permitindo pagar tranquilamente a folha de março, o que foi feito.

O Estado, que desde 2004 vinha aumentando seguidamente a sua receita, apresenta neste exercício de 2009, uma média de receita de 400 milhões de reais. A folha bruta de pessoal situa-se em torno de 200 milhões, mas como o Imposto de Renda Retido dos salários, bem como a Contribuição Previdenciária, ficam com o tesouro do Estado, o dispêndio líquido com pessoal está muito distante da receita corrente líquida, após as transferências para os municípios.

Portanto não se justifica essas notícias alarmantes saídas de ilustres auxiliares do governo que cuidam das finanças estaduais, disseminando o medo no seio da classe de servidores, sempre as primeiras vítimas das medidas de compressão das despesas públicas.

Não se diminuem mordomias, gratificações a apaniguados em valores altíssimos, a políticos que perderam a eleição e que são compensados com funções a que não estão obrigados a exercer. Só receber a remuneração.

Com as eleições de 2010 já se aproximando, é fácil deduzir que o alarde visa garantir recursos para a campanha e não é para obras, mas para projetos que facilitem a distribuição de dinheiro com cabos e operadores financeiros das eleições, para a busca de votos.

Antes que alguém ache que estou fazendo levianas acusações, é preciso explicar que os recursos não são roubados, embolsados, são apenas realocados para objetivos eleitoreiros, para serviços que não interessam à sociedade, mas que rendem votos.

É a tradicional reserva de campanha, constituída de recursos públicos e o grupo que atualmente dirige o Estado é conhecido como uzeiro e vezeiro nessas artimanhas eleitoreiras.

Vem o período de safra, a crise está indo embora, a tendência das receitas é de crescimento, razão por que não se justifica o alarde de crise local, a não ser que o maquiavelismo esteja pintando um quadro negro agora, para apresentar resultados como se fossem produtos de uma ação especial.

Mas, sempre que o servidor reivindicar reposição de salário, surgirá o argumento de que não há recursos disponíveis.

O servidor público é o eterno bode expiatório das crises.

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Aiatolá: O de lá e o de cá

Por José Virgolino de Alencar

O mundo está uma zorra,

Seja alhures, seja cá,

No Irã, perpetuamente,

Governa um Aiatolá;

Cá no Brasil, no poder,

Diz elle: Aiá, tô lá.

 

O de lá fala que o mando

Vem de um Deus superior;

O de cá, ainda que

De nada seja sabedor,

Manda por que encarna

Bem o mistificador.

 

No Irá, Ahmadinejad,

Com seu nome complicado,

Manda baixar o cacete

No contestador ousado;

Aqui, o Lulamadinejad,

Não é mais que um coitado.

 

Na sua pobre verborréia

Sanciona a safadeza,

Perdeu toda compostura

E tudo virou moleza;

Roubar e trapacear

É seita, tenham certeza.

 

 



Escrito por Virgolino às 19h29
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Artigo

 

Publicado no Blog da Maria Helena. Endereço: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/ 


Enviado por José Virgolino de Alencar

Artigo


O apagão da Segurança Pública brasileira
 

O Brasil é o país do apagão. Houve o apagão no sistema elétrico, o consumidor pagou uma sobretaxa, as empresas de energia faturaram mais e nada melhorou. Descobriram o apagão aéreo, fez-se carnaval do fato, o governo nomeou o Xerife Nelson Jobim, mas não consta qualquer solução nesse velho problema brasileiro.
 
O ensino de um modo geral, e particularmente as Universidades Federais, vivem um apagão, o apagão da educação, com as instituições sem equipamentos, sem instalações adequadas e, principalmente, sem professores. E os poucos que têm são mal-remunerados, desestimulados, humilhados mesmo.
 
A saúde igualmente está apagada do mapa de prioridades do governo, sem hospitais, sem ambulâncias, sem equipamentos, sem remédios e também sem médicos. E os poucos que trabalham recebem baixa remuneração e não podem ter motivação para o exercício da função.
 
Outro apagão, para piorar tudo, está ocorrendo na segurança do país, com todas as deficiências vistas na energia elétrica, no setor aeroportuário, na educação e na saúde. A “usina geradora” da segurança pública, ou seja, a Secretaria Nacional de Segurança Pública, órgão do Ministério da Justiça, há tempo que sofreu uma pane nas turbinas e não gera a “energia da segurança” para garantir claridade e vida segura aos cidadãos.
 
As “distribuidoras de segurança”, a cargo dos Estados, não têm o que distribuir, se a fonte geradora não lhes fornece os quilowatts necessários à luminosidade da segurança da sociedade, que fica às escuras, assombrada e assustada. Os cidadãos se enjaulam em suas casas, engradadas, com cercas elétricas, sistemas de monitoramento eletrônicos, mas como os bandidos têm armamento e meios de agirem nessa escuridão, ninguém se sente seguro nem no recesso de seu lar.
 
O governo federal faz de conta que não é com ele, deixa os governadores, também ineficientes naquele mínimo que poderiam ajudar, sem apoio e sem recursos, numa fria atitude diante de problema tão grave. Assim, não é dado nenhum passo para fazer funcionar a geradora de segurança, a tal Secretaria Nacional, o crime impera livre e impunemente, agravado pela leniência e vagarosidade da justiça que põe nas ruas bandidos perigosos.
 
A outra tragédia da segurança está no amontoamento de presos nos pequenos espaços das celas, colocando, numa área para quatro pessoas, às vezes até cinqüenta réus que, mesmo tendo cometido delitos puníveis, não podem ser tratados como animais, afinal os sistemas prisionais do mundo inteiro visam recuperar o criminoso, ressocializar o apenado, e não se transformar em escola para o aumento da criminalidade, como ocorre no Brasil.
 
Dentro das prisões brasileiras estão armadas verdadeiras bombas, com contagem regressiva para explodirem, com efeito retardado mas previsível, e ninguém toma providências para impedir a tragédia.
 
Vale a pena lembrar que a bandidagem prolifera porque a própria sociedade, egoísta, hedonista, preocupada em juntar bens materiais, cria a matéria-prima para a monstruosidade, à medida que deixa desumanamente os menores abandonados nas ruas, as meninas pré-adolescentes se prostituírem para sobreviver. Até laboratório para transformar meninos em homossexuais, travestis, já existe no Brasil, com um esquema organizadamente montado, funcionando empresarialmente, e só os órgãos e sistemas de segurança não vêem.
 
Uma grande massa de excluídos torna-se presa fácil do crime organizado que a utiliza para o tráfico, de drogas e de armas, para o contrabando, para a prostituição, fazendo dela escudo para blindar os criminosos maiores de idade, escorado no fato de que o menor é inimputável.
 
É por aí que a tragédia se instala, vai caminhando e dominando a situação, piorada com a escuridão originada na pane do sistema de segurança, instalando-se o apagão do setor, somando-se aos apagões de muitos outros sistemas de serviços essenciais para a sociedade brasileira, literalmente órfã de governo.
 
Decididamente, o Brasil é o país do apagão.




Escrito por Virgolino às 09h39
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