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Versos sacânicos

José  Virgolino de Alencar

Versos Sacânicos - II

Décimas do Brasil (i)legal

 

Os fatos estão, claramente, gravados em fita,

As imagens não permitem desmenti-los,

Os asseclas e cupinchas não podem suprimi-los,

Mesmo com ajuda de um criativo “artista”

Que é esperto em não deixar nenhuma pista.

A opinião pública pressente que no ar

Há muito lamaçal para se limpar,

Mas o sistema é potente na tramoia,

Quem é sujo, lógico, lhe apoia

E faz a sacanagem mandar e desmandar.

 

O Brasil está no manguezal se afogando,

É uma aeronave em vôo cego,

O manda-chuva diz que não será pego

E que podem continuar surrupiando,

Para banco da Suíça o dinheirão mandando.

Não há perigo de ver o sol quadrado,

Habeas corpus é direito consagrado

Pelos que são bem diplomados doutores

Em um país de estranhos julgadores,

Onde todo roubo é legalmente perdoado.

 

A constituição depende do ângulo de visão,

A elite diz que ela respeita os seus direitos,

Direitos exercidos com duvidosos jeitos,

Jeitos que encobrem a rapinagem do ladrão

E o massacre do poderoso e desumano patrão.

Para o trabalhador o direito é diferente,

Nesse sistema, trabalhador nem é gente,

Não pode reivindicar melhor remuneração,

É sacrilégio, indisciplina, é subversão,

Assim caminha o país, destrambelhadamente.

 

Liberdade, fraternidade e igualdade

São coisas aqui não encontradas,

Sumiram do mapa apavarodas

Com o festival brasuca de insanidade,

Corrupção, exclusão, desumanidade.

O país assiste a uma tremenda mentira,

O “dejá-vu” de todo político traíra

Nos enganando sobre a verdade da crise,

Mas isso não passa de um papo- reprise

Do que nos causa nojo e justificada ira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Virgolino às 13h58
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Versos sacânicos

José  Virgolino de  Alencar

Versos Sacânicos - I

Brasil bigodeado

O Brasil tá pendurado,

Se segura como pode,

É um tal de esconde-esconde,

Onde o corrupto se sacode

E encobre a safadeza

Por trás de um grosso bigode.

 

O bigode de Sarney,

Junto ao de Mercadante,

Faz o Brasil parecer

Com o inferno de Dante,

Nosso país está ardendo

Numa fogueira calcinante.

 

Bigodeando o país

O nosso grande chefão

Arma todo um aparato

Pra esconder da nação

Seu grandioso projeto:

“BRASIL – VIVA A CORRUPÇÃO”.

 

A vergonha agora jaz

Enterrada e não é

Somente a sete palmos;

Ela vai fundo e até

Quilômetros Terra a dentro

E só quem sabe é Javé.

 

Nem erupção vulcânica

Trará a vergonha à tona,

Nem bomba, nem implosão,

A safadeza detona,

Porque a sua blindagem

É por demais gigantona.

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Virgolino às 13h45
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Artigo

Publicado no Site: ancomarcio.com

José Virgolino de Alencar

INCOERENCITE DO PT - MAL DO SÉCULO XXI
 
Em 1990, Collor introduziu a agenda neoliberal, na esteira da globalização do mercado. O PT esbravejou, combateu, fuçou e terminou caçando Collor por ter recebido um automóvel Elba de presente.
 
Em 01 de julho de 1994, há 15 anos, portanto, FHC lançou o Plano Real. Novamente o PT esbravejou, combateu, fuçou, mas o tucano esperto conseguiu, via a ideia do mensalão, comprar a reeleição e dominar a cena por 8 anos.
 
Depois de quatro insistências, Lula e o PT finalmente chegaram ao poder.
 
Não tendo ideia nenhuma a apresentar, não tendo nada de novo para condução do país, o PT abraçou a agenda neoliberal de Collor, montou-se no cavalo selado do Real, aprendeu e aperfeiçoou o esquema do mensalão e assim vai se mantendo no governo já pelo sétimo ano, sem qualquer novidade em termos de projeto de nação, porém com muito novidade no capítulo da corrupção, refinada em alguns aspectos, apalhaçada e aloprada em muitos outros, e vem se segurando como pode, se equilibrando no fio que liga o nada à coisa nenhuma.
 
O episódio Sarney só aumentou o mal da incoerencite que acometeu o PT do século XXI, salpicando de lama a outrora brilhante estrela vermelha, hoje uma estrela cadente, esmaecida, amarelando-se no discurso que não consegue mais justificar-se convincentemente sobre seus procedimentos carregados da mais clarividente senvergonhice.
 
Lula virou irmão xifópago de Sarney, colado nele pelo mau destino da política, estando o Brasil necessitando que a sociedade faça uma cirurgia moral, a fim de separá-los e colocar cada um na gaiola que eles merecem, para sentirem o gostinho amargo de ver o sol quadrado.
 
Os fatos falam por si, o presidente também abre sua bocarra escandalosa para defender de público a safadeza, de modo que não dá mais para os lulistas insistirem numa irritante chorumela de atribuir, aos outros, os erros que Lula está copiando, seguindo e praticando.
 
Podem esgoelar-se na tentativa de enganar, mas o flagrante delito está caracterizado, faltando apenas o devido processo legal, com defesa e contraditório, um sagrado direito garantido até para os mais hediondos meliantes.
 
A justiça tarda, falha, mas chega.
 
A história não tem sido complacente com os farsantes, falsos mitos, com os messias fabricados em barro podre.
 
As farsas costumam diluir-se no ar, levadas pelos ventos que sopram para o éter e as transformam no que elas efetivamente representam: nada!
 
E os farsantes jazem soterrados na tumba do esquecimento, dormindo acolhidos nos braços do ente que para eles é o Supremo Ser Superior: Azazel!

   

 



Escrito por Virgolino às 23h02
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Crônica

Publicado no Site: http://ancomarcio.com

José Virgolino de Alencar

Chico Buarque, o tempo e a genialidade intelectual

 

Entre meus atrevimentos nesse fascinante campo da arte de escrever, cometi um poema(não é lá um primor, mas vale como ilustração do que quero aqui falar), intitulado “O tempo passa?”, onde desenvolvo a ideia, discutível ou não, não interessa, de que o tempo não passa, nós é que passamos. O homem, numa sucessividade de bilhões ou mais de anos, nasce, cresce, envelhece e desaparece. Enquanto isso, o Sol permanece lá no seu lugar, a Terra dá todo dia uma volta em torno de si mesma, a cada ano ou  trezentos e sessenta e cinco dias, rodeia o Sol, sempre voltando ao mesmo lugar.

 

Para a gente, é rotina ver o Sol amanhecer, “subir” aos céus e no entardecer morrer no horizonte, chegando a noite, esperando a manhã seguinte, igualzinha à de ontem. No entanto, no nascer do Sol o homem tem uma idade, no anoitecer está mais velho e no dia seguinte mais velho ainda.

 

Mas, a Terra, o Sol, a Lua e todo o conjunto cósmico continuam jovens, intactos, com tudo em cima e não envelhecem, não se enrugam, não têm escoliose, lordose, neuropatias, psicopatias, enfarte, AVC, e vai por aí.

 

No meu poemetido, ouso indagar: “O tempo passa, corre, se distancia,

ou fica parado e a gente, de etapa em etapa, caminha célere para um previsível destino e chega ao fim traçado, de onde ninguém escapa?”

 

E respondo:

 

“O tempo não passa, não corre, resta parado, a gente é que passa, de etapa em etapa, caminhando para o destino previsível e chega ao fim traçado, de onde ninguém escapa.”

 

Essa é a minha impressão sobre o tempo e a nossa finita vida.  Mas, eis que vejo a notícia de que Chico Buarque está completando 65 anos e, ao ser mostrada a imagem de Chico hoje, ficou-me a sensação de que para ele o tempo não passa.

 

Poeta, compositor, escritor, pensador, teimoso em suas firmes posições políticas e sociais, para mim Chico é gênio e nesse aspecto não tenho nada a acrescentar que represente algo de novo sobre a sua genialidade.

 

E, ainda mais, outra faceta de Chico me chama atenção. O genial compositor não envelhece, permanece, como o Sol, a Terra, a Lua, inteiraço, com feição jovem e jovial. Chico poderia, se tivesse querido, ser um desses galãs de novela, fazendo sucesso e sendo badalado como superstar e ídolo da mulherada.

 

Mas preferiu trilhar o caminho da criação artística e cultural, deu pouca bola para esse lado de jovem boa-pinta e de privilegiada imagem física, ideal para o vídeo.

 

Contudo, acho que, sem viver como, por exemplo, os ídolos do futebol, na onda do gavião, num deslumbramento alienado diante da badalação, Chico não deixa de ser admirado pelo sexo feminino, atraído pelos olhos azuis, que certamente Lula não deve gostar.

 

Vejo assim o gênio Chico Buarque, desmentindo minha tese de que o tempo não passa, o homem  é que vai passando. Ele é, pelo menos, exceção de minha teoria, se é que ela pode ser considerada teoria.

 

Chico só tem um defeito. Não torce pelo meu Vasco.

 

Mas ninguém é completamente perfeito!

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Virgolino às 21h43
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