NETPAGE- J. VIRGOLINO ALENCAR


Poemas

José Virgolino de Alencar

         I

Passarinho preso

Preso no ninho vive triste o passarinho,

Não canta, não quer voar, dalí não sai;

Chora; em lágrimas sentidas se esvai,

Não olha, hora nenhuma, para além do ninho.

 

Muitas aves, em bandos, por perto voam,

Alegre e livremente bailando, batendo asas;

Belas sonatas em vibrante coro entoam.

 

À noite, retornam e recolhem-se às suas casas,

Ao habitat natural, nas árvores, meio covas rasas.

 

O passarinho, indiferente, nem vê as aves que passam.

 

                         II 

 

Menor abandonado

Sonhando, vaga o menor pelas estradas da vida.

 

Na sua carência, ele clama por dignidade,

Esperando e merecendo justiça e liberdade.

 

Quer sair do abandono, encontrar uma saida,

Onde seja tratado com humana igualdade

E possa deixar pra trás a dura vida sem guarida.

 

O menor não quer, pela força, nada tomar

De quem muito tem e pode um pouco ceder

Para que, de fome, ele não viva a sofrer.

Jura, então, que novos caminhos vai procurar.    

 

 

 



Escrito por Virgolino às 13h07
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Carta/Comentário

Posição político/ideológica em face de Fernando Collor

José Virgolino de Alencar

A crônica de Gonzaga Rodrigues, acima transcrita, publicada no Jornal Correio da Paraíba, de 23/11/1990, que encontrei mexendo nos meus papéis velhos, contém um comentário meu acolhido por Gonzaga, no qual eu tecia críticas ao então governo collorido, posição na época aplaudida e emparelhada pelo velho PT.

Hoje Collor é companheiro e influente personalidade no governo petista, enquanto eu continuo na mesma posição crítica ao abominável político alagoano.

Quem mudou? O PT, claro.

Eu não mudei nada.

 



Escrito por Virgolino às 21h56
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Artigo

Publicado no Site: Ancomarcio,=.com

Língua Portuguesa - Gramática complicada
 
 
Não pretendo aqui comentar ou emitir opinião própria sobre as dificuldades da gramática da língua portuguesa.
Principalmente em face do Novo Acordo Ortográfico.
 
Apenas transcrevo o exemplo das muitas faces da palavra “quê”, comentadas pelo professor Josué Machado.
 
É só uma palavra e vejam o número de regras para a sua aplicação, que entendo como uma boa lição e como boa amostra da complicação do idioma que herdamos de Portugal. Quem tiver paciência, veja a seguir.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

 
"As muitas faces do “quê”
 
Autor: Josué Machado
 
I)Funções morfológicas do QUÊ.

1 Que substantivo. Tem o sentido de "alguma coisa", "que coisa". É sempre acentuado nessa função, em que aparece modificado por artigo, pronome adjetivo ou numeral. É a única função em que pode ter plural.
O presidente disse a ele não sei QUÊ que o fez mudar o voto. O senador Suplicy tem um QUê de alienígena que chegou depois. Os QUÊS tornam o texto áspero como a alma dos políticos.

2 Que interjeição. Como toda interjeição, exprime sentimento, emoção. Nessa função, é sempre exclamativo e acentuado. QUÊ! Ele ainda não recebeu o aumento? QUÊ! A Justiça livrou o Palocci? QUÊ! A Câmara Federal trabalha para criar mais 7.500 vagas para vereadores! Pode ser antecedido de artigo: O QUÊ! Espero que não demore para terminar o trabalho.

3 Que preposição. Equivale a "de" ou "para" e integra uma locução verbal com os verbos auxiliares "ter" e "haver". Em tais locuções, alguns sábios consideram impróprio o já amplamente difundido uso de "que" em lugar de "de". Todos hão QUE fazer o melhor que podem. Tenho QUE escrever com a maior clareza possível. Os senadores têm pouco QUE fazer no plenário. Os políticos não têm muito QUE fazer para ganhar a vida.

4 Que advérbio. Funciona como reforço de adjetivo e, mais raramente, de advérbio; equivale aproximadamente a "quão" e "quanto". QUE belos tempos passamos juntos! QUE honrados foram aqueles senadores! QUE longe ficou meu sonho de felicidade... "Belos" e "honrados" são adjetivos; "longe", advérbio.

5 Que partícula de realce. Também chamado de partícula expletiva, serve apenas como realce, por isso pode ser suprimido sem que o sentido da oração se modifique. Também aparece com o verbo ser na locução "é que". Qual QUE é a sua? "Oh, que saudade QUE eu tenho..." (Casimiro de Abreu, "Meus oito anos".) Os políticos É QUE sabem viver.

6 Que pronome adjetivo. Modifica o substantivo ao lado do qual aparece. QUE peito teve o Mercadante! QUE atitude admirável a dos senadores! "Infância, QUE sorte cega, QUE ventania cruel, QUE enxurrada te carrega, Meu barquinho de papel?" (Versos do poema Coração, de Guilherme de Almeida.)

7 Que pronome interrogativo. Ocorre em orações interrogativas com o significado de "que coisa". Alguns sábios classificam tais pronomes como indefinidos, embora inseridos em frases interrogativas. Isso porque são pronomes de significação imprecisa, característica dos indefinidos. QUE importa a sua renúncia se só faz o que lhe mandam fazer? QUE espera que eu faça? QUE dia é hoje? Pode ser reforçado por "O": O QUE espera que eu faça?

8 Que pronome relativo. Refere-se a um termo antecedente (grifado nos exemplos abaixo), projetando-o na oração seguinte, chamada adjetiva. É o caso em que pode ser substituído por "o qual", "a qual", "os quais", "as quais". A mão QUE afaga é a mão QUE apedreja. (Liberdade com o verso "A mão que afaga é a mesma que apedreja", em Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos.) Tenho saudade da criança QUE fui. O candidato QUE ofendeu Sarney é o presidente QUE o salvou. O homem, QUE é mortal, começa a morrer quando nasce.

9 Que conjunção. Relaciona duas orações e se classifica de acordo com a oração que inicia.

A) Coordenativa. Introduz orações coordenadas. - Aditiva: Falam QUE falam e nada resolvem. - Alternativa: Desista QUE não desista, tanto faz. - Explicativa: Nana, neném, QUE a cuca vem pegar. Choveu, QUE o chão está molhado. (= porque.) - Adversativa: Esperava que outro, QUE não meu amigo, fizesse aquilo.

B) Subordinativa adverbial. Introduz orações subordinadas adverbiais. - Causal: Não espere QUE eu não vou. - Temporal: Aberta QUE foi a sessão, ele pediu o arquivamento do processo. - Final: Faltou muito QUE o Bigodão fosse cassado. (Que = para que.) - Comparativa: Mostrou-se mais fraco QUE ela. (Ou: do que ela.) - Condicional: Não foi ela, mas, QUE fosse, seria premiada. - Consecutiva: O governo esforçou-se tanto QUE o livrou da cassação. - Concessiva: Por muito QUE se explique, não convence.

C) Subordinativa integrante. Introduz orações subordinadas substantivas. - Subjetiva: É preciso QUE soframos para entender o amor. - Objetiva direta: O estudo de sua trajetória revela QUE ele sempre oscilou. - Objetiva indireta: Tenho esperança de QUE ele pague pelas picaretagens cometidas. Ainda me lembro de QUE a amei demais. - Completiva nominal: Fiquei com a certeza de QUE ele só foi valente com a Lina. Tive receio de QUE ela fugisse. - Predicativa: A verdade é QUE eles não ligam para a ética. Esse papo parece QUE não vai dar em nada. - Apositiva: Ele tem um sonho: QUE a tia mal-humorada seja eleita.
 
II)A preposição que faz falta
 
É comum, mesmo em textos ambiciosos, a omissão indevida da preposição antes do pronome relativo "que", que funciona como objeto indireto, adjunto adverbial, agente da passiva e complemento nominal.

Em vez de: "É algo de que poucos se lembram: viemos ao mundo para sofrer", escrevem: "É algo que poucos se lembram: viemos ao mundo para sofrer". Em vez de: "Esperou a hora em que ela se distraiu para avançar", escrevem: "Esperou a hora que ela se distraiu para avançar". Em vez de: "O homem por que foi atacada recebeu castigo", escrevem: "O homem que foi atacada recebeu castigo". Em vez de: "A votação a que você fez referência foi viciada, escrevem: "A votação que você fez referência foi viciada".
 
III)Funções sintáticas do QUÊ.
 
Ao funcionar como pronome relativo, QUE pode assumir vários papéis sintáticos.

1 Sujeito: Percebi então a mulher magoada QUE detestava o marido. QUE é sujeito do verbo detestar. Ele é o homem poderoso QUE lesou o caseiro. QUE é sujeito de lesar.

2 Objeto direto: Ele era o marido incompreendido QUE ela detestava. QUE é objeto direto do verbo detestar. Cometeu um erro tolo QUE ela não perdoou. QUE é objeto direto de perdoar. "Lá tenho a mulher QUE eu quero/Na cama QUE escolherei" (Manuel Bandeira, falando de Pasárgada, lugar que evoca o Congresso brasileiro para quem é amigo do rei.) QUE é objeto direto de querer e escolher.

3 Objeto indireto: É algo de QUE poucos se lembram: viemos a este mundo para sofrer. QUE é objeto indireto do verbo lembrar-se.

4 Adjunto adverbial: Esperou a hora em QUE ela se distraiu para avançar. QUE é adjunto adverbial do verbo distrair.

5 Agente da passiva: O homem por QUE foi atacada recebeu o castigo merecido. QUE substitui "homem", agente da passiva.

6 Predicativo do sujeito: Sou o QUE sou. Gostaria de voltar a ser a criança QUE fui. QUE é predicativo do sujeito oculto "eu".

7 Complemento nominal: A votação a QUE você fez referência foi viciada. QUE é complemento nominal de referência."


 



Escrito por Virgolino às 10h18
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Crônica

Publicado no Portal Mhário Lincoln do Brasil-PMLB

Paz e amor

Quando a pessoa pública, e mesmo a apenas quase pública como eu, de tanto se envolver em polêmicas e discussões, de tanto combater os que lhe são contrários e de tanto ser anatematizado como grosso e carrancudo, se dá conta de que está próximo a conseguir a unanimidade contra,  e aí de repente se toca, faz uma reflexão, lembra da recomendação bíblica de que deve conviver bem e amar os irmãos com a sua diversidade natural,  começando, então, um processo de mudança de postura, sem mudar de personalidade, sem mudar de ideologia como os políticos mudam de partido, mas tentando mudar para melhor, visando ser melhor aceito pela comunidade a que pertence.

 

Nosso presidente Lula é um bom exemplo dessa circunstância. Opositor que amedrontava as elites pela cara fechada, pela carranca, tentou, mantendo essa postura, três vezes a candidatura a presidente e não venceu. Tudo indica que fez uma revisão na sua imagem, foi mudando paulatinamente, ao ponto dos marqueteiros criarem a figura/slogan de “Lulinha, paz e amor”.

 

Passando a adotar um bem manejado jogo de cintura, a se entender com o que antes ele antipatizava e era antipatizado, tornou-se cordato, maleou o debate, e, nesse prisma, deu um banho na quarta eleição, vencendo com margem expressiva e chegando ao que ele perseguiu na vida com tenacidade e que não lhe chegara antes devido à carranquice.

 

Mantendo a postura cordial, o diálogo em maior amplitude, foi reeleito facilmente e conserva no governo um apoio em níveis que nem ele e nem seu partido esperavam. Convivendo com a outrora combatida FIESP, com a CNI, com a CNT, com a FEBRABAN, para citar as mais fortes corporações do país, Lula permanece como o maior cabo eleitoral do Brasil atual.

 

Outro exemplo, é a ministra Dilma Roussef. Tida como durona, inflexível, forte no comando, passou a ser considerada antipática, ao ponto de prejudicar sua imagem de candidata. Mas, já está começando o movimento de “Dilma, paz e amor”, com ela maneirando o tom nas entrevistas e nas respostas a perguntas ácidas. Por aí, e pelo forte esquema que tem como base de apoio, Dilma pode, para a oposição, ser um osso duro de roer.

 

Há muitos mais exemplos de virada de postura comportamental que fizeram das pessoas, artistas, jogadores de futebol, escritores, jornalistas, clérigos, enfim, um leque significativo de seres humanos, ídolos da simpatia e da empatia.

 

Observando e lembrando desses casos, e como venho adotando nos últimos tempos uma reação muitas vezes destemperada, justificada pela situação calamitosa que vive o Brasil político, mas de certo modo de pouca utilidade para a minha própria vida e que pode ser considerada também como atitude na contra-mão da realidade que vive o mundo, por tudo isso, acho que faço bem em arrefecer o ânimo crítico, situando-o na observação dos fatos sem passionalismos, sem comprometimentos.

 

Sozinho, gritando, esperneando, criticando, enquanto os alvos de minha crítica cada vez mais estão se dando bem, vivendo bem, sem se incomodarem com o combate, chego à conclusão de que, como não vou salvar o mundo, a crítica e o combate devem caminhar por uma via mais realista, mais pragmática, simplesmente porque o mundo e não só o Brasil está palmilhando por uma estrada, como que cercada de doces frutas, onde o caminheiro vivaz vai colhendo e comendo as frutas, engordando, cantando, e a cada passo torna-se mais volumoso, tanto o volume físico, como o volume econômico. É assim o mundo, e se o Criador não consegue mudar, não sou eu que vou fazer um mundo novo.

 


Assim, sem renunciar ao direito cidadão de apontar os erros, de condenar a corrupção, de não compactuar com a bandalheira, acho que não preciso ser intolerante, cáustico, carregar nas tintas dos comentários e críticas, bastando dar o recado, com seriedade, manter a consciência limpa, dormir sem sobressalto e não ter pesadelos.

 

Está, então, lançado o meu slogan particular: “Virgolino, paz e amor”.

 

 

 



Escrito por Virgolino às 09h58
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, TAMBAU, Homem, Mais de 65 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Cinema e vídeo, Viagem - Passeio
Outro -
Histórico
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
  Sil's Place
  Minha Vida
  Rapadura de Humor
  Blog do Tião
  Língua Afiada
  Arte e Cultura
  Cem Réis de prosa - por Agnaldo Almeida
  Blog de Ivaldo Gomes
  Fatita - Home Page
  Portal Mhário Lincoln do Brasil
Votação
  Dê uma nota para meu blog