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Crônica

 

José Virgolino de Alencar

Na vida de Jesus não cabe coalizão com Judas

Milênios AC, Deus entregou a Moisés uma tábua com as seguintes recomendações: amar a Deus sobre todas as coisas; não invocar seu santo nome vão; guardar os domingos e festas; honrar pai e mãe; não matar; não pecar contra a castidade; não furtar; não levantar falso testemunho; não desejar a mulher do próximo; e não cobiçar as coisas alheias.

Jesus, ao seu tempo, ensinou: “Pai nosso que estás no céu, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, amém”.

Entre as muitas lições bíblicas e os muitos ensinamentos do cristianismo, destacam-se as recomendações de Deus a Moisés e o que ensinou o próprio Cristo, não por maior ou menor importância, mas pela sabedoria que encerram e por formar uma base ética e moral para a conduta das pessoas, independente do seu credo ou até de não ter credo.

Para seguir as sábias lições, não é essencial que esteja permanentemente dentro de um templo religioso, digo do templo formal, de pedra e cal, porque, onde quer que estejamos, para nossa crença, o lugar torna-se templo, para reflexão, para oração, para meditação, para avaliação de como devemos ser como humanos, convivendo com os demais irmãos em Deus.

Nas dez recomendações, enfeixadas pelo cristianismo como os Dez Mandamentos ou Decálogo de Deus, encontramos conselho e orientação de como devemos nos comportar no convívio coletivo, em sociedade, em harmonia com toda a humanidade. São pregações religiosas que os códigos laicos dos homens absorveram e colocaram no próprio conjunto de normas do direito, como doutrina, e nas leis, como código de conduta, cujo desvio será julgado e receberá condenação terrena, da reclusão, da exclusão do meio social.

Os dez mandamentos são seguidos pelas sociedades, pelos regimes temporais, em todas as nações, mesmo na diversidade de cultura, de crença, de modelo político-econômico-social, sofrendo represália, cada um à sua maneira, o cidadão que se desviar desse caminho delineado pelo Deus cultuado pelos cristãos e recepcionado pelas demais e diferentes formas de ajuntamento social.

A lição de Cristo, conhecida nos cultos religiosos como o “Pai Nosso” ou “Padre Nosso”, oração presente em todos os atos onde se reúnem os crentes de todos os segmentos cristãos, também resume, sob a forma de apelo ao Pai, um ensinamento que leva o crente à humildade, quando ouve ou diz que lhe venha o santificado nome de Deus, deseja que a vontade Dele prevaleça, tanto na terra como no céu. `

Apela pelo pão de cada dia, porque o corpo precisa de alimento material para ter condições de absorver o pão espiritual. Pede perdão pelas ofensas que faz, assegurando que perdoa a quem lhe tem ofendido, como pede para não cair na tentação ou nas muitas tentações que a vida oferece e para livrar-se de todos os males.

O amém final resume todo o preito a Deus, o Pai, o protetor, que deseja e dá amor, paz, tranqüilidade, felicidade, harmonia, fraternidade, igualdade, justiça, enfim, os sentimentos que retiram o homem do alcance da sedução do “outro lado”, o lado luciferiano e suas ilusórias satisfações, seus enganosos prazeres, prazeres efêmeros cujos efeitos e conseqüências na verdade destroem o homem, seus sentimentos, sua personalidade, sua auto-estima, enfim, mata, antes da morte física, seu desejo de viver.

Para quem não crê que isso está na raiz da existência de um Deus, importa menos se, mesmo não praticando ou não pertencendo a culto nenhum, obedeça pragmaticamente às lições, por entender que a harmonia para a sociedade terrena depende do fiel cumprimento daquelas lições, por convicções de formação filosófica, ideológica, que lhe sedimenta na alma o sentimento da ética e da moral.

Toda essa divagação religiosa, que se estende para os não-religiosos, vem a propósito da infeliz idéia do Presidente Luís Inácio da Silva, o Lula, ao afirmar que Cristo, se no Brasil de hoje aqui estivesse, faria aliança com Judas para governar.

Nas lições bíblicas, não só as acima citadas, como nas muitas outras, nada nos leva a concluir que Jesus daria tão incoerente guinada por interesse de poder.

O que Lula fez, na verdade, foi, levando seu subconsciente a escorregar no próprio lamaçal por ele criado, querer justificar-se dos tremendos pecados políticos e morais que vem cometendo.

Nesse caso, como se trata do destino de uma nação e do grande contingente humano de sua população, nem se pode dar a ele, Lula, o benefício da anistia do ponto de vista político-social, embora se deva, no sentimento cristão, perdoar o indivíduo, o ser humano, se longe do poder, para que sua alma repouse em paz.



Escrito por Virgolino às 13h39
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